Nada mais atualmente trágico do que o samba de Sebastião Fonseca e Cícero Nunes composto entre o final da década de 50 e o início da de 60. O samba foi gravado, entre muitos, por Moreira da Silva e, mais recentemente, pela cantora Mônica Salmaso. Desde que nós, homo sapiens, decidimos viver majoritariamente aglomerados nas cidades, e cada vez mais nas grandes cidades, problemas como os ocorridos no Rio de Janeiro nos assolam. Se depender da postura das autoridades a situação tende a piorar. É triste ver e ouvir um governador colocando a culpa nos pobres e favelados pela sua própria desgraça. Além de, o tempo todo, querer desvirtuar o discurso em prol da imagem da cidade maravilhosa, aproveitando, inclusive, para defender a construção dos muros em torno das favelas. Enquanto isso os problemas urbanos, que são sempre sociais, não são enfrentados de fato. Vocês sabiam que no Rio de Janeiro , por exemplo, não existem galerias pluviais? Ouvi do ambientalista Luiz Prado, na rádio BandNews, que o que temos são manilhas apenas, galerias pluviais são aquelas que estamos acostumados a ver nos filmes norteamericanos, onde sempre tem o mocinho perseguindo o bandido, ou vice-versa. Enfim, leiam a letra da música:
Cidade lagoa
(Sebastião Fonseca e Cícero Nunes)Essa cidade que ainda é maravilhosa
Tão cantada em verso e prosa
Deste o tempo da vovó
Tem um problema vitalício e renitente
Qualquer chuva causa enchente
Não precisa ser toró
Basta que chova mais ou menos meia hora
É batata, não demora
Enche tudo por aí
Toda cidade é uma enorme cachoeira
Que da praça da Bandeira
Vou de lancha a Catumbi
Que maravilha nossa linda Guanabara
Tudo enguiça, tudo para
Todo trânsito engarrafa
Quem tiver pressa seja velho ou seja moço
Entre n’água até o pescoço
E peça a Deus pra ser girafa
Por isso agora já comprei minha canoa
Pra remar nessa lagoa
Cada vez que a chuva cai
E se uma boa me pedir uma carona
Com prazer eu levo a dona
Na canoa do papai

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