segunda-feira, 22 de março de 2010

o ovo de Andrade


 Não entendi mesmo as declarações de Andrade, técnico do Flamengo. Ele, sempre ponderado nas falas, dessa vez devaneou. Segundo ele, a imprensa estaria jogando contra o time com o objetivo de desestabilizar emocionalmente o grupo. Com o grupo fragilizado, seu rendimento cairia, assim os clubes paulistas seriam favorecidos na Libertadores. Não duvido que membros da mídia esportiva atuariam neste sentido, principalmente a paulista.  As vezes a imprensa pega pesado sim. Não é papel da imprensa, muito menos a esportiva, querer julgar e condenar do ponto de vista moral. No entanto, essas elucubrações de Andrade, ou de quem quer que seja dentro da diretoria do Fla, não fazem o menor sentido. Quem cobre o dia-a-dia do time não é a imprensa paulista. Muito menos a imprensa esportiva nacional, mesmo porque essa não existe de fato. As noticias policiais envolvendo os jogadores do time são elaboradas nas redações dos jornais, rádios e TVs cariocas. Como se trata de Flamengo e de jogadores de seleção, as notícias ecoam nacionalmente. Isso sim é inevitável. Duvido muito que a imprensa carioca, bairrista e clubista, queira favorecer algum time paulista. Talvez Andrade tenha que refletir melhor sobre o seu papel como comandante, ao invés de ficar encontrando pelo em ovo. Talvez haja problemas entre a terra, a casa do Fla e o céu, que treinador paizão não consiga identificar. Abre o olho Andrade!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Os falíveis do futebol

Ontem, dia 16 de março, ao ligar a televisão, mais especificamente no canal SporTV, me deparei com uma grata surpresa. O programa Redação SporTV tinha como convidado o escritor João Ubaldo Ribeiro, autor de Vida e Paixão de Pandornar, o Cruel, entre outros livros de sucesso. “Pandornar” é, porém, um livro infanto-juvenil, que marcou bastante minha infância. É um livro que mexe muito com a imaginação de qualquer garoto naquela fase chamada de pré-adolescência. Afinal, o livro é sobre a imaginação. Imaginação de um garoto, que nas agruras dessa fase, sonha em ser: astuto, forte, valente e, principalmente, popular. Segundo João Ubaldo, faz parte do futebol, algumas imprecisões humanas que, que dão graças ao futebol. Se o futebol se torna uma coisa parecida com uma ciência exata, quase infalível, perde a graça. É preciso haver um pouco de falibilidade. Concordamos planamente com essa noção, não é? Afinal nós gostamos de futebol por isso. Realmente, se o futebol fosse um esporte ausente de personagens falíveis, se tornaria muito chato. Imagina uma corrida de Fórmula 1 onde não ocorra nada que destoe da normalidade. Nenhuma atrapalhada nos box, nenhuma ultrapassagem arriscada na última curva, até mesmo uma batidinha de leve. Agora imagine o futebol sem frango do goleiro, sem gols perdidos na cara, sem canelada, sem pedaladas e sem erros do juiz. E sem a mãe do juiz! O criador de Pandonar ainda cita outro exemplo, dizendo que a decisão de um lance duvidoso, ou a validação de um penalty, de um gol, não pode ser feita utilizando um máquina, um fotosharp. Isso não é corrida de cavalo!

Futebol não é corrida de cavalo, nem Fórmula 1, muito menos luta livre, Boxe ou Vale-tudo. Porém, logo após a agradável participação do escritor baiano, cenas vergonhosas de atos frutos da falibilidade humana foram exibidas no programa matinal do Sportv.  Ao término da partida entre Canedense e Vila Nova pelo campeonato goiano, jogadores e torcedores trocaram agressões, diga-se de passagem, muitas agressões. A guerra incluiu até a explosão de uma bomba no vestiário do time da capital goiana. Com isso, um jogador do vila saiu ferido na perna, uma cena muito triste de se ver no esporte, mesmo no falível mundo futebol. Segundo informações da imprensa, havia inclusive um vereador da cidade de Senador Canedo envolvido na confusão. Nada contra vereador, prefeito, deputado, governador ou presidente que se envolve com futebol. O problema é quando esse torcedor/político utiliza o seu poder para coagir e agredir árbitros e equipes adversárias. Lembrando que esse poder foi adquirido através do voto do povo, que, por sua vez, espera dele outra coisa. Vale lembrar que há poucos dias fato semelhante ocorreu em outra cidade goiana. O time local jogava contra outra equipe do interior e perdia por 1 a 0. No intervalo da primeira para a segunda etapa, o presidente de honra do clube local e prefeito da cidade invadiu o gramado acompanhado por um segurança (sem honra) que agrediu o arbitro da partida. Parte da imprensa esportiva do estado Goiás minimizou o caso, inclusive criticando o fato do ministério público ter tomado providências contra o ato do prefeito e de seu segurança no sentido de que uma punição exemplar, como o próprio nome diz (mas neste caso não podemos fugir da redundância), serviria de exemplo. Um comentaria chegou a dizer que os promotores estavam sendo cruéis. Digo que ao comentarista falta um pouco de ponderação. Se ele é simpatizante do prefeito, julgue-o pelo ato, não pela posição política. A falibilidade é indispensável ao futebol, no entanto, tem limites. Quanto a esses políticos/torcedores nada contra, como já disse, mas se ficassem longe do futebol não seria nada mal. Afinal, na política, onde deviam falhar menos, eles já falham demais!!! Neste caso, para ter certeza disso sequer é necessário apelar para ciências absolutamente infalíveis, como a matemática.


quarta-feira, 10 de março de 2010

...fora o Baile!!!

Sempre que a gente pensa nesses jogos da Copa dos Campeões da Europa (ou Champions League) vem a imagem de jogos equilibrados e truncados. Contrariando esse estereótipo, Manchester e Milan fizeram o jogo de um time só. Principalmente se levarmos em conta a objetividade. Rooney é um grande atacante, força, agilidade e oportunismo. Sou fã desse cara. Sempre escolhi o Manchester no FIFA Soccer por causa dele. Já o Seedorf continua o mesmo só no vídeo game, um craque, mas não apresenta o futebol de antes. O time inglês venceu porque é melhor, aliás, muito melhor. Além de Rooney, Park é perigoso e o lateral esquerdo português Nani é excepcional, prestem atenção nele. Vai jogar contra a gente na copa. Ronaldinho Gaúcho bem que tentou, mas deve ser dolorido jogar do lado de Huntelaar e Borriello. E por estar jogando o que tem jogado no meio desse monte de pernas de pau é que, mais do nunca, ele merece uma vaga na Copa 2010. Além disso, Jankulovski é limitado, Pirlo, como Seedorf, não é mais o mesmo e Thiago Silva não parece ser aquele super zagueiro, como propagou a imprensa quando jogava no Fluminense. Beckham entrou, mas não fez mais do que quase um golaço aos 30 minutos do segundo tempo. Mas como sabemos, quase não é nada, principalmente quando já se está perdendo por 3 a 0. Resultado final: 4 a 0. Fora o Baile!