terça-feira, 27 de abril de 2010

O Leão e o seu novo habitat


O Leão é um dos quatro grandes felinos no gênero Panthera. Membro da família Felidae é o segundo maior felino depois do tigre. Eles vivem na África Subsaariana, mas já ocuparam a Ásia, a Índia, a parte norte da África e até mesmo a América, mais especificamente, do Canadá ao Peru. Leão, o animal, nunca viveu no Brasil. Na literatura infantil, vale ressaltar, ele tem o título de Rei. O Rei da Floresta!
Há registros, porém, que na América do Sul, mais precisamente na sua porção definida como planalto central, habita agora outro tipo de Leão, daqueles que falam e que andam sobre duas patas. Esta espécie, que já percorreu boa parte das regiões do Brasil, é muito independente e agora, talvez por sua simpatia pelas savanas, habita uma região do Cerrado conhecida como Serrinha. Ele foi convidado por outros animais, é verdade, mas digamos que esta espécie goza de uma autonomia além da média, se comparada a outras espécies.  
Vamos aos fatos: anunciou a impressa, que na última segunda feira, o Goiás Esporte Clube, após ficar uma semana sem treinador, acertou a contratação de Emerson Leão, ex-Goleiro e ex-Garoto Propaganda de cuecas. Leão tem uma indiscutível carreira vitoriosa como jogador. Foi campeão mundial pela seleção brasileira (reserva na copa de 1970) e bi-brasilieiro pelo Palmeiras (1072/73). Além disso, foi titular da seleção brasileira durante quase toda a década de 1970 e disputou as copas de 1974, 78 e 86.
Como treinador, o sucesso de Leão é um pouco mais fosco. Apesar dos inúmeros títulos, entre eles dois campeonatos brasileiros, sua carreira como técnico é marcada por polêmicas e não é tão brilhante como a de jogador. Brigas e discussão com jornalistas sempre fizeram de Leão uma figura controversa. É verdade que seu nome nunca foi parar em CPI, como no caso de outro treinador famoso, mas sua personalidade é polêmica, daquelas do tipo “ame ou odeie”. Sendo assim, ora ele é execrado, ora ele é adorado.  Os atos de amar e odiar são típicos da espécie animal.
No seu novo habitat, Leão pode ser odiado e amado. Instintivamente, no futebol é assim, tudo depende de resultado. Portanto, o Rei da floresta tem um grande desafio: agradar (com resultados) aos lobos e demais animais que dominam a Serrinha do cerrado há milhares de anos.

sábado, 24 de abril de 2010

Quatro pernas bom, duas pernas melhor

Se for realmente tudo verdade o que temos lido na imprensa, estamos diante de uma situação muito rara acontecendo no Goiás Esporte Clube, ou seja, um empregado ditando as regras no clube, À primeira vista pareceria uma coisa boa: um empregado com o poder de decisão na instituição maior (seja no setor público, em empresa privada, ou algo difícil de se enquadrar em alguma categoria, como um clube de futebol). Digo mais e questiono: seria a REVOLUÇÃO? Como a história nos oferece vários exemplos, só mesmo uma revolução é capaz de provocar mudanças drásticas na situação vivida por um grupo, seja ele de que tamanho for, uma família ou uma nação. No Goiás, pelo que tudo indica, uma revolução foi feita, mas sem barulho, uma revolução silenciosa. Um jogador, apenas UM, é o dono das decisões. É ele quem decide contratar e demitir. Nestas circunstâncias, não duvido que tenha escalado o time algumas vezes. Essa revolução silenciosa é perigosa. É traiçoeira. É suja. É a pior delas, pois é o poder na mão de um tirano, um ditador que usa de métodos traiçoeiros e injustos. Usa do pior dos métodos: a CHANTAGEM. Mais do que uma atitude anti-profissional é uma atitude anti-ética e suja, repito. Suja como os porcos.
Concretamente, a situação é preocupante. O Goiás tem um péssimo início de ano e estamos sem treinador. Pior do que isso, temos visto uma diretoria apática, sem autoridade, sem atitudes profissionais e que cede aos caprichos de um jogador vaidoso. Os vaidosos, como os ditadores, têm fetiche pelo poder. Está na hora da torcida esmeraldina se revoltar e gritar: FORA! O poder de mobilização já foi experimentado na campanha "Eu acredito na estrela dourada".
Por fim, falando em revolução e porcos, quem se lembra de "A Revolução dos Bichos", de George Orwell, onde, no final, não é possível mais distinguir homens e porcos, pois os porcos passam a andar sobre duas pernas?


quinta-feira, 22 de abril de 2010

Quanto tempo as pessoas que residem nas metrópoles levam para chegar aos locais de trabalho ou para retornarem às suas casas diariamente?

Quanto tempo as pessoas que residem nas metrópoles levam para chegar aos locais de trabalho ou para retornarem às suas casas diariamente? Talvez tenhamos essa resposta na ponta da língua, basta pensar em nossos próprios casos, ou fazermos um levantamento com pessoas conhecidas. Não são raros os relatos sobre o martírio que é enfrentar as longas distâncias, os engarrafamentos e as constantes panes do sistema público de transporte nas grandes cidades. Uma verdadeira via-crúcis. Ao mesmo tempo, sem pesquisas e levantamentos sistemáticos torna-se difícil traçar um panorama geral sobre os deslocamentos realizados cotidianamente pela população.
As chamadas pesquisas origem-destino constituem um dos principais instrumentos para orientar o planejamento do transporte e do tráfego nas cidades. No Brasil, porém, elas são escassas e intermitentes. Não são todas as grandes cidades que as realizam e, em outras, se encontram defasadas frente ao crescimento acelerado, principalmente de suas periferias. A última pesquisa do tipo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, por exemplo, ocorreu em 2003. Notícias dão conta que apenas São Paulo, Recife e Natal realizaram esse tipo de pesquisa recentemente. Poder-se ia até alegar que uma periodicidade tolerável seria o intervalo de 10 anos, a mesma do censo do IBGE. Porém, não há nenhuma garantia que ocorrerá novamente outra pesquisa nos próximos anos. E sabemos todos qual é a situação do transporte público nas grandes cidades, principalmente no Rio de Janeiro, e o quanto tem piorado desde 2003.
Hoje sabemos, por exemplo, que a periferia das grandes metrópoles tem crescido mais do que suas áreas centrais. Por outro lado, torna-se difícil acreditar que agências reguladoras e empresas de transporte levem isso em consideração. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE (PNAD), nas 10 regiões metropolitanas pesquisadas, tem aumentado o número de pessoas que passam mais tempo no trajeto casa-trabalho. Ao compararmos o percentual de pessoas que demoravam mais de 1 hora para se deslocarem diariamente de suas casas até seu local de trabalho, ou vice-versa, entre 2001 e 2008, percebemos que ocorreu um aumento em quase todas as metrópoles. Apenas em Curitiba este percentual diminuiu; em todas as outras houve aumento, e o maior deles é de 5,8 pontos percentuais, o qual ocorreu em Salvador. Nas duas maiores metrópoles, São Paulo e Rio de Janeiro, o aumento foi de 3,7 e 4,1 pontos percentuais, respectivamente.
Surpreendentemente, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro é onde existe um maior percentual de pessoas que levam mais de 1 hora no trajeto casa-trabalho, mais que São Paulo, inclusive. Vale lembrar que a maior das metrópoles brasileiras tem cerca de 19,4 milhões de habitantes, enquanto a metrópole fluminense tem uma população em torno de 11,8 milhões de pessoas.
Isto pode ser efeito direto do descasamento entre os locais de moradia e trabalho das pessoas, situação denominada pelos americanos de spatial mismatch. No entanto, a maioria das cidades brasileiras mantém estruturas de distribuição dos locais de moradia e trabalho bem parecidas. Não seria aceitável, portanto, acreditar que esse é o maior e único motivo que explique a grande diferença entre elas. Em boa parte essa disparidade pode ser explicada também pelo tamanho, ou seja, pela escala de metropolização. Não existe, porém, uma relação direta entre o tamanho da metrópole e esse indicador. Curitiba, por exemplo, é maior que Brasília e Belém. Entretanto, na metrópole paranaense, demora-se menos para ir ao trabalho do que nestas outras duas, como no caso de São Paulo em relação ao Rio de Janeiro. As condições de acessibilidade existentes em cada uma dessas regiões metropolitanas, que envolve a rede viária, os tipos de modal existentes, assim como a qualidade do serviço público oferecido, também devem ser consideradas.
Vale destacar, por fim, que é importante a diferença entre elas, principalmente quando olhamos para cidades como Curitiba, que, entre todas, foi a única onde houve uma diminuição do percentual de pessoas que levam mais tempo no trajeto casa-trabalho, entre 2001 e 2008. O mais importante e preocupante é saber que nos últimos anos, na maioria das grandes metrópoles brasileiras, um maior número de pessoas leva mais tempo em seus deslocamentos diários. Por esse e outros motivos a questão da mobilidade é fundamental para dimensões do viver na metrópole, tais como: acesso ao mercado de trabalho, à educação, ao consumo e principalmente elementos que compõem o que se denomina qualidade de vida.

* Texto publicado originalmente no Portal do Observatório das Metrópoles

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Far Far Away

NOTA METODOLÓGICA A RESPEITO DA CONSTRUÇÃO DO ICH
Não foram muito boas as noticias neste dia 6 de abril de 2010, quando nosso Esmeraldino comemorou seu 67° aniversário. Bom, dessa vez não teve tiazinha; afinal, todos se lembram da visita da mascarada naquela comemoração de aniversário do Goiás na Serrinha. Por outro lado, temos "tiozinhos", "vôvozinhos", lobos maus, sacis e demais personagens que, na verdade, aterrorizariam qualquer festa de criança. O fato é: não estamos falando de aniversário de criança e o time esmeraldino em 2010 parece mais um Frankenstein do que qualquer outro singelo personagem saído dos contos infantis.
Em minha opinião, de duas uma: ou a contratação de Diogo Galvão, destaque do “grande” time do Trindade, é mais uma ação impensada e fantasiosa dos dirigentes do verde, ou é uma atitude muito bem pensada de alguém que vai ganhar algo com isso.  Isso tá me cheirando coisa de anão, do tipo anão do orçamento. Voltando a realidade (ou quase), o Trindade encerrou sua participação no Goianão 2010 na 8ª colocação, com apenas um ponto a frente do Itumbiara, rebaixado.
Como nós não somos ingênuos, não vamos cair no conto do vigário, muito menos no da maçã envenenada. Temos que ficar, sim, muito bem acordados e com os pés no chão da realidade, afinal, a semifinal do Goiano começa no próximo domingo, dia 14 tem decisão pela copa do Brasil, o campeonato brasileiro se aproxima, e não podemos esperar a bela adormecida despertar, o sapo virar príncipe, ou alguma varinha de condão transformar o patinho feio em cisne.

Nada mais atualmente trágico do que um samba

Nada mais atualmente trágico do que o samba de Sebastião Fonseca e Cícero Nunes composto entre o final da década de 50 e o início da de 60. O samba foi gravado, entre muitos, por Moreira da Silva e, mais recentemente, pela cantora Mônica Salmaso. Desde que nós, homo sapiens, decidimos viver majoritariamente aglomerados nas cidades, e cada vez mais nas grandes cidades,  problemas como os ocorridos no Rio de Janeiro nos assolam. Se depender da postura das autoridades a situação tende a piorar. É triste ver e ouvir um governador colocando a culpa nos pobres e favelados pela sua própria desgraça. Além de, o tempo todo, querer desvirtuar o discurso em prol da imagem da cidade maravilhosa, aproveitando, inclusive, para defender a construção dos muros em torno das favelas. Enquanto isso os problemas urbanos, que são sempre sociais, não são enfrentados de fato. Vocês sabiam que no Rio de Janeiro , por exemplo, não existem galerias pluviais? Ouvi do ambientalista Luiz Prado, na rádio BandNews, que o que temos são manilhas apenas, galerias pluviais são aquelas que estamos acostumados a ver nos filmes norteamericanos, onde sempre tem o mocinho perseguindo o bandido, ou vice-versa. Enfim, leiam a letra da música:

Cidade lagoa
(Sebastião Fonseca e Cícero Nunes)

Essa cidade que ainda é maravilhosa
Tão cantada em verso e prosa
Deste o tempo da vovó

Tem um problema vitalício e renitente
Qualquer chuva causa enchente
Não precisa ser toró

Basta que chova mais ou menos meia hora
É batata, não demora
Enche tudo por aí

Toda cidade é uma enorme cachoeira
Que da praça da Bandeira
Vou de lancha a Catumbi

Que maravilha nossa linda Guanabara
Tudo enguiça, tudo para
Todo trânsito engarrafa

Quem tiver pressa seja velho ou seja moço
Entre n’água até o pescoço
E peça a Deus pra ser girafa

Por isso agora já comprei minha canoa
Pra remar nessa lagoa
Cada vez que a chuva cai

E se uma boa me pedir uma carona
Com prazer eu levo a dona
Na canoa do papai