A metáfora da guerra sempre é utilizada por cronistas esportivos quando o objeto de análise, crônica ou notícia, é um jogo de futebol que envolve grandes rivalidades. Este é o caso do confronto entre Goiás e Vila Nova, principal clássico de Goiás e um dos mais acirrados do Brasil. Muitos são os motivos para que esse confronto seja, cada vez mais, motivo de preocupação por parte de torcedores, dirigentes, imprensa e autoridades públicas comprometidas com a paz dentro e fora dos estádios.
Numa perspectiva de longo prazo, podemos nos arriscar a dizer que a progressiva polarização em torno deste confronto é resultante da decadência de Goiânia e Atlético - os outros dois grandes de Goiânia. O Atlético deu sua volta por cima, enquanto o Galo Carijó, como é conhecido o time do Goiânia, sequer conseguiu retornar à primeira divisão do Campeonato Goiano. Essa mudança de rumo do Atlético, sobretudo, incomoda o torcedor do Vila, que há tanto tempo permanece na série “B” do brasileiro e com risco sempre iminente de visitar a série “C”. Ou seja, além da rivalidade intrínseca, mais um motivo para que os ânimos se exaltem. Tento me colocar no lugar de um torcedor colorado, por mais que, particularmente, isso seja impossível: como pode o meu principal rival passar tanto tempo na série “A” sem que eu possa dar pelo menos uma “brincadinha” lá na superfície, como fazem os golfinhos? Como pode o Atlético, que corria risco de eutanásia, dar essa respirada e eu não?
No caso do perseverante torcedor do Vila, a persistência deu lugar ao desconforto, a impaciência. Apesar da constante presença na série “B”, o torcedor do Tigrão nunca foi acomodado. Ao contrário do torcedor do Goiás, este sim, sempre se acomodou na primeira divisão; a série “B”, que agora muito incomoda, parecia uma realidade distante, apesar do flerte em 2007. Ver o Atlético Goianiense “no lugar que era dele”, talvez seja ainda pior. No curtíssimo prazo, Goiás e Vila vivem hoje momentos desiguais no Brasileirão série “B”. Enquanto o foguete esmeraldino experimenta uma empolgante ascensão, o colorado cambaleia e o time, e principalmente o esfíngico técnico Hélio dos Anjos, não passam confiança. Hoje, ambos entram no Serra Dourada em climas distintos, mas com um objetivo comum: a vitória!
Daqui a pouquíssimos minutos, pede-se Paz no jogo entre Goiás e Vila Nova. Nestas circunstâncias, seja pelos motivos de longo ou de curto prazo, os ânimos estão ainda mais acirrados e a metáfora da guerra poderá extrapolar a pauta das colunas esportivas. Não é guerra de fato, não há disputa por poder ou por territórios, não há objetivos políticos neste confronto. É metáfora, embora a necessidade de paz seja real. É apenas futebol, mas, literalmente, é preciso #paznogoiasevila
